Intestino preso: o que comer e o que fazer para soltar

Intestino preso: o que comer e o que fazer para soltar

Intestino preso é uma daquelas queixas que muita gente trata como normal. A pessoa passa três, quatro dias sem ir ao banheiro, sente a barriga inchada, e acha que "o meu intestino é assim mesmo". Na maioria das vezes não é: é a alimentação, a rotina ou as duas coisas, e dá para mudar.

Neste texto eu explico o que conta como intestino preso, o que a alimentação faz por ele, os erros que eu mais vejo quando alguém tenta resolver sozinho e os sinais de que é hora de procurar um médico, e não só ajustar o prato.

O que é intestino preso, de fato

Não existe um número certo de vezes para ir ao banheiro. Tem gente que vai todo dia e tem gente que vai em dias alternados, e as duas estão bem. O que define o intestino preso é o conjunto:

  • ir ao banheiro menos de três vezes por semana;
  • fezes duras, em bolinhas ou em pedaços secos;
  • precisar fazer muita força;
  • sair do banheiro com a sensação de que não esvaziou.

Se você se reconhece em duas ou mais dessas, com frequência e há algumas semanas, é intestino preso, mesmo que você já tenha se acostumado.

Por que ele prende

O intestino precisa de volume e de água para funcionar. As fezes são formadas em boa parte pelo que o corpo não digere, principalmente a fibra, e pela água que essa fibra segura. Quando falta uma das duas, as fezes ficam pequenas, secas e andam devagar.

As causas mais comuns são:

  • pouca fibra: pão branco, arroz branco, pouca fruta, pouca verdura;
  • pouca água, ou só água quando dá sede;
  • pouco movimento: o corpo parado deixa o intestino mais lento;
  • segurar a vontade, por pressa ou por não gostar de usar o banheiro fora de casa;
  • mudança de rotina, como viagem, turno novo no trabalho ou férias.

Alguns remédios também prendem o intestino, como suplementos de ferro, alguns analgésicos fortes e alguns antidepressivos. Se o problema começou junto com um remédio novo, vale falar com o médico que receitou. Não pare o remédio por conta própria.

Por que é mais comum nas mulheres

Intestino preso é bem mais frequente nas mulheres, e os hormônios explicam parte disso. A progesterona deixa o intestino mais lento, e por isso muitas mulheres notam que ele prende mais na semana antes da menstruação. Na gestação o efeito é ainda maior, somado ao peso do útero e, muitas vezes, ao suplemento de ferro. No pós-parto, o medo da dor e a rotina virada de cabeça para baixo fazem muita mulher segurar a vontade.

Na menopausa, a mudança de hormônios, a perda de massa muscular e, às vezes, a menor quantidade de água que se bebe também pesam. Em cada uma dessas fases o ajuste na alimentação é um pouco diferente.

O que comer

A base é aumentar a fibra, e aumentar do jeito certo. Na prática, isso quer dizer:

Frutas todos os dias, de preferência com casca e bagaço. Mamão, ameixa, kiwi, laranja com bagaço, pera e maçã com casca são as que mais ajudam. Suco coado perde quase toda a fibra: a fruta inteira funciona muito melhor que o suco.

Ameixa seca. Ela tem fibra e um açúcar natural, o sorbitol, que puxa água para dentro do intestino. Algumas unidades por dia, ou a ameixa deixada de molho na água de um dia para o outro, ajudam muita gente. Não precisa de receita mirabolante.

Verduras e legumes no almoço e no jantar. Folhas, abobrinha, chuchu, cenoura, vagem, brócolis. Meio prato é uma boa referência.

Feijão, lentilha e grão-de-bico. São das maiores fontes de fibra que temos no dia a dia. O feijão com arroz, que é tão nosso, já ajuda bastante.

Trocar o refinado pelo integral aos poucos. Pão integral, aveia, arroz integral em parte das refeições. Não precisa ser tudo de uma vez.

Sementes, como linhaça e chia, ajudam, mas só com água suficiente. Elas incham, e sem água podem piorar.

O erro mais comum: muita fibra de uma vez

Quando alguém descobre que fibra solta o intestino, a tendência é exagerar: farelo no iogurte, linhaça em tudo, três frutas a mais por dia, a partir de amanhã. O resultado costuma ser gases, barriga estufada e, se a água não acompanhar, o intestino ainda mais preso.

O certo é aumentar aos poucos, ao longo de duas ou três semanas, e aumentar a água junto. A fibra precisa de água para formar fezes macias. Sem água, ela vira um tampão.

Quanto de água? Não existe um número que sirva para todo mundo, porque depende do seu peso, do calor, do quanto você se movimenta. Um jeito simples de acompanhar é a cor da urina: amarelo claro indica que você está bem. E beba ao longo do dia, não um litro de uma vez à noite.

O que mais ajuda além do prato

Horário. Depois de uma refeição, principalmente o café da manhã, o intestino tem um reflexo natural de se movimentar. Dar a si mesma alguns minutos no banheiro depois do café, sem pressa, ajuda o corpo a criar o hábito.

Não segurar. Cada vez que a vontade é ignorada, o intestino absorve mais água das fezes, e elas ficam mais duras.

Posição. Um banquinho sob os pés, deixando os joelhos mais altos que o quadril, aproxima a posição de agachamento e facilita a saída. É barato e muita gente sente diferença.

Movimento. Caminhada já ajuda. Não precisa ser academia.

E o chá laxativo?

Chá de sene, laxantes de farmácia e "remédios caseiros" fortes resolvem no dia, mas usados por conta própria, toda semana, podem deixar o intestino dependente e mascarar o que está causando o problema. Remédio para intestino é assunto para o médico. O que a alimentação faz é diferente: resolve a causa, mais devagar, mas sem depender de nada.

Quando procurar um médico

Ajustar a alimentação resolve a maioria dos casos, mas alguns sinais pedem consulta médica antes:

  • sangue nas fezes ou no papel;
  • perda de peso sem estar tentando;
  • dor forte na barriga, ou barriga muito estufada sem conseguir soltar gases;
  • mudança recente no funcionamento do intestino, principalmente depois dos 50 anos;
  • intestino preso que alterna com diarreia, sem explicação;
  • casos de câncer de intestino na família.

Nesses casos, o médico investiga primeiro, e a alimentação entra junto, não no lugar.

Como eu trabalho o intestino na consulta

Na consulta eu olho para o que você come num dia normal, quanta água você bebe, os horários, os remédios e suplementos que você usa e em que fase da vida você está, porque o ajuste da TPM não é o mesmo do pós-parto ou da menopausa. A partir disso, o plano aumenta a fibra no ritmo que o seu intestino aceita, com comida de que você gosta, e nos retornos a gente ajusta o que não funcionou.

Atendo presencialmente em Toropi, com hora marcada, e online para todo o Brasil e para quem mora fora. Veja os serviços, conheça a página ou me mande pelo WhatsApp se prefere presencial ou online e o que você quer tratar. Também atendo saúde da mulher em todas as fases.

Pameli Becker

Nutricionista, especialista em Nutrição Clínica e Funcional e pós-graduanda em Saúde da Mulher. Atende em Toropi e online.